19.4.09

A Festa de Pêssach (Páscoa)


(Shemot - Êxodo 12:1-28)    -   (Vaycrá - Levítico 23:4-8 e 9-14)


Pêssach, significa "saltar" ou "passar por cima" e ocorre no décimo quarto dia, à tarde, do mês hebraico de Nissan, o primeiro mês do calendário bíblico judaico. Como todas as festas bíblicas, o início é ao pôr do sol, porque de fato o pôr do sol marca o final de um dia e o começo do outro.

Pêssach é uma festa de libertação, de redenção e de julgamento dos opressores. Libertação porque o povo de Israel foi liberto da escravidão do Egito e levado ao deserto para ser moldado pelo Eterno. Eles foram libertos para servirem a D'us e tornarem-se uma nação sacerdotal. Redenção porque um cordeiro foi morto por cada família judia, servindo de expiação por eles. O sangue daquele animal sacrificado, foi colocado em ambas às ombreiras e na verga das portas, a fim de proporcionar livramento, pois naquela noite o Senhor passaria pelo Egito e todo primogênito seria morto, menos aqueles cujas portas estivessem marcadas pelo sangue do cordeiro.

Pêssach também fala de julgamento, pois o Eterno julgou todos os "deuses" do Egito, ou seja, as forças espirituais das trevas que reinavam naquele império e promoviam a opressão ao povo de Israel. Podemos ler acerca disto no livro de Shemot (Êxodo): "E eu passarei pela terra do Egito esta noite, e ferirei todo o primogênito na terra do Egito, desde os homens até os animais; e em todos os deuses do Egito farei juízos, Eu Sou o Senhor" (Shemot 12:12). Na verdade, as dez pragas, que foram derramadas sobre as terras do Egito, julgaram os seus "deuses", que eram venerados através das imagens, das estátuas e de esculturas, e simbolizados pelos aspectos físicos da natureza, como o rio Nilo, o sol, a abundância da colheita, e por fim o filho do Faraó, que representava o filho dos "deuses". Entre as pragas, houve a transformação das águas do rio Nilo em sangue, a escuridão que humilhou o "deus" principal do egípicios, o "deus sol" (amom rá), a destruição da colheita pela saraiva e pelos gafanhotos e por fim a morte do filho do Faraó, o herdeiro do trono e do título de: filho dos "deuses".

Analisando agora o aspecto profético, podemos ver nesta festa um sinal claro acerca da primeira vinda do Mashiach (Ungido), que veio como um servo sofredor. Ele, como o cordeiro sacrificado em pêssach, fez um sacrifício perfeito para libertar todos aqueles que aceitam o seu testemunho. O sangue de Adon (Senhor) Yeshua derramado no madeiro proporcionou libertação, redenção e julgamento. Libertação, porque todos aqueles que recebem o seu testemunho são libertos. São livres da escravidão dos desejos da carne e da opressão espiritual dos demônios. Redenção, porque o sangue de Yeshua, o Cordeiro de D'us, proporciona expiação pelos pecados daqueles que o aceitaram como Senhor e Salvador, livrando-os da condenação eterna. Fazendo uma analogia com os primogênitos do povo de Israel, que receberam o livramento da morte pelo sangue colocado nas portas, os que são do Mashiach (Ungido), são livres da segunda morte, pelo sangue derramado no madeiro. E por fim, temos o aspecto do julgamento, porque através do filho de D'us, Yeshua, todos os "deuses", ou seja, todas as forças das trevas foram julgadas. A palavra de D'us diz acerca do sacrifício do Mashiach (Ungido): "E, despojando os pricipados e potestades (forças das trevas), os expôs publicamente e deles triunfou em si mesmo." (Colossenses 2:15) - "Mas, se andarmos na luz, como Ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Yeshua Ha Mashiach (O Ungido), Seu filho, nos purifica de todo o pecado." (1João 1:7)

Pêssach, após o sacrifício do Mashiach (Ungido), alcançou o seu significado pleno. Isto inclui a redenção de Israel e a redenção de todos aqueles, que entre as nações, recebem o testemunho de Yeshua, o filho unigênito do Eterno. No Egito, ocorreu um livramento físico, relacionado diretamente com a vida neste mundo. No gólgota (golgoltah em aramaico), ocorreu um livramento espiritual, relacionado diretamente à vida no mundo vindouro.

Em razão disto deveríamos obedecer à ordem do Mashiach (Ungido), que antes de fazer o sacrifício perfeito, celebrou a festa de Pêssach com os seus discípulos e deu ordens de que todas as vezes que esta festa fosse celebrada, a fizessem em memória dele, afinal de contas ele é o Cordeiro de D'us. A ceia, ou também conhecida como a santa ceia, tem sua origem na festa de Pêssach, e infelizmente a igreja do Mashiach (Ungido) não tem cumprido corretamente esta ordenança, pois segue o calendário gregoriano, instituído pela igreja romana, e comemora a páscoa numa data equivocada e sem o devido conhecimento de como fazê-la. Na verdade, a maioria dos cristãos acham que a ceia que é feita aos domingos é o cumprimento pleno da ordenança deixada pelo Mashiach (Ungido), mas se lerem com atenção o texto, verão que o pedido de Yeshua era para celebrarem a festa de Pêssach em memória dele. Vamos ler o texto: "E tomando o pão, e havendo dado graças, partiu-o, e deu-lho, dizendo: Isto é o meu corpo, que por vós é dado: fazei isto em memória de mim. Semelhantemente, tomo o cálice, depois da ceia, dizendo: Este cálice é o novo testamento no meu sangue, que é derramado por vós" (Lucas 2:19,20). A celebração da ceia de pêssach feita pelo povo judeu, preserva até os dias de hoje, os aspectos principais da ceia que Yeshua realizou com os seus discípulos e está em plena conformidade com o texto lido. Na celebração bebe-se três cálices de vinho. Os dois primeiros são tomados antes da ceia propriamente dita, onde todos desfrutam de uma refeição. Após isto bebe-se o terceiro vinho, que é chamado o "cálice da redenção" e come-se o pão chamado de "aficomam", que é partido em pedaços pequenos. Foi exatamente neste momento que Yeshua, tomando o vinho da redenção e partindo o pão em pequenos pedaços, instituiu a nova aliança baseada em seu sacrifício perfeito.

O primeiro problema é que a igreja do Mashiach (Ungido) desconhecendo este fato, descumpre o pedido de Yeshua, não celebrando Pêssach (a verdadeira páscoa) em memória do seu nome. O segundo problema é que o pão usado em Pêssach, é o Matsa (pão ázimo), que é um pão sem fermento, pois o fermento é representativo do pecado, e na maioria das igrejas cristãs, a ceia do domingo é feita com pão fermentado, o que não deixa de ser um agravo ao Filho do D'us vivo. Na verdade, na época dos sacrifícios no templo, um dos sacrifícios era a oblação, que é uma oferta de vegetais, e não se podia em hipótese alguma incluir o fermento. O pão fermentado nunca poderia ser usado como oferta queimada no altar, mas apenas como oferta movida, como veremos ao estudarmos a festa de Shavuot (petencostes). A Torah nos ensina acerca disso: "Não oferecerás o sangue do meu sacrifício com pão fermentado..." (Shemot 23:18a). Os elementos usados na oblação, que é uma oferta que aponta para a adoração, eram: a farinha de trigo, o sal, o azeite e o incenso. A farinha de trigo representava o pão que fisicamente nos alimenta e espiritualmente simboliza a palavra de D'us. O sal é um símbolo de purificação, de preservação e de aliança, pois nos livros de Vaycrá (Levítico) 2:13 e Bamidbar (Números) 18:19, falam sobre a aliança que D'us fez com o sal. Em razão disto, o sal também aponta para as pessoas que têm aliança com D'us e tendo sido purificadas, são preservadas para a vida eterna. Certa vez Yeshua disse: "Vós sois o sal da terra..." (Matheus 5:13a). O azeite aponta para a presença do Espírito de D'us que gera unção, poder e maravilhas. O incenso representa o cheiro suave da adoração ao Eterno, bendito seja Ele.

Quanto à ceia que é feita semanalmente, realmente era um costume da igreja do primeiro século. A razão disto é que aqueles que entre as nações aceitavam o testemunho do Mashiach (Ungido) e se convertiam ao D'us vivo, não podiam participar da festa de pêssach como os judeus, pois segundo a Torah, só pessoas circuncísas poderiam participar desta ceia: "nenhum incircunciso comerá dela" (Shemot 12:42-50); e a circuncisão não era obrigatória para os goyim (gentios) que se convertiam ao Mashiach (Ungido). Eles então criaram o hábito de partir o pão ázimo e tomar o vinho em memória do sacrifício de Yeshua, logo após o término do shabat. O shabat começa na sexta ao entardecer e termina no sábado ao entardecer. Naquela ocasião era costume da igreja participar do serviço da Torah, que ocorria no sábado de manhã, e no final do shabat reuniam-se. No primeiro dia, ou seja, no sábado à noite, eles partilhavam a ceia juntos, mas antes partiam o pão ázimo e tomavam o vinho em memória do sacrifício de Yeshua. Após a refeição ou mesmo antes, eles faziam a coleta e decidiam para onde ia o dinheiro arrecadado. Sendo assim, quando se fala do primeiro dia, está se referindo ao sábado à noite, após o término do Shabat. O domingo era um dia de trabalho como qualquer outro, e todos acordavam e iam trabalhar. Outro fator importante para a celebração da ceia semanal, é de colocar Yeshua como o centro das nossas vidas. Isto cumpre um propósito Divíno, pois só através do Mashiach (Ungido) podemos estar verdadeiramente na presença do D'us Todo Poderoso.

Nos nossos dias, sem o Templo, o sacrifício do cordeiro não pode ser feito, pois os sacrifícios só podem ser realizados no Templo em Jerusalém. Sendo assim, os judeus incluem um osso de ovelha na ceia, para representar o cordeiro de pêssach. Nós que temos o testemunho do Mashiach (Ungido), quer judeus ou goyim, podemos fazer a ceia de pêssach, pois a nova aliança nos concede pleno aval atráves de Yeshua, o Cordeiro de D'us, que como um corban (sacrifício) perfeito fez expiação e com o seu sangue abriu uma porta eterna, para todos aqueles que dele se aproximam com fé. Por isto se diz no livro do profeta Oséias: "Tomai convosco palavras, e convertei-vos ao Eterno; dizei-lhe: Tira toda a iniquidade, e aceita o que é bom; e ofereceremos como novilhos os sacrifícios dos nossos lábios" (Oséias 14:2). Fica claro neste versículo, que ao invés de novilhos, ofereceremos o sacrifício dos nossos lábios, confessando os nossos pecados e pedindo a misericórdia de D'us sobre nós. Mas isto só tem eficácia se o sangue do Mashiach estiver sobre nós, porque sem sangue não há expiação de pecado, como nos ensina a Torah: "Porque a vida da carne está no sangue, pelo que vo-lo tenho dado sobre o altar, para fazer expiação pela vossa alma, porquanto é o sangue que fará expiação pela alma" Vaycrá (Levítico) 17:11.

No aspecto da redenção ao nível individual, para aqueles que recebem o testemunho de Yeshua, a festa de Pêssach representa exatamente a salvação, quando somos livres da condenação do pecado e reconectados com D'us através do Mashiach (Ungido). Mas é bom lembrar que da mesma forma que o povo de Israel foi chamado a servir ao Eterno após sua libertação, nós também fomos livres de um estilo de vida pautado na escravidão, para servir a D'us Todo Poderoso. Somos libertos da opresssão maligna e da escravidão do pecado, para termos uma vida transformada e inteiramente nova. Para uma pessoa que não conhece a D'us isto não faz sentido, pois não pode conceber uma vida sem os prazeres carnais que produzem o pecado. Mas, para quem de fato teve uma experiência genuína de salvação, entende o verdadeiro significado da vida e a verdadeira fonte da felicidade, que não está na satisfação dos prazeres da carne, mas na comunhão espiritual com D'us, e naturalmente se inclina para obedecer aos mandamentos do Senhor e se afastar das práticas pecaminosas. A pessoa que diz ter uma experiência com D'us e não tem nenhuma mudança efetiva no seu modo de agir, na verdade apenas mudou de religião e está equivocada quanto aos caminhos do Eterno. A palavra de D'us nos ensina acerca disso, dizendo: "Aquele que diz: eu conheço-O (a D'us), e não guarda os Seus mandamentos, é mentiroso, e nele não está a verdade... Aquele que diz que está nele (Yeshua), também deve andar como Ele andou" (1João 2:4,6).


Fonte: (SEESBi Seminário Teológico Bíblico Integrado "No Contexto Judaico Messiânico)

4 comentários:

  1. Irmão Gustavo essa é uma palavra muito sábia. Eu li esta postagem e aprendi muita coisa sôbre a salvação que não conhecia. Está de parabéns.Uma outra coisa que me chamou a atenção , foi este aviso sôbre as leis. Eu tenho um blog no qual eu estou colocando assuntos diversos e ontem eu coloquei um dos capítulos de um livro de contos reais para ver se vendo pela internet. Esse Blog tem poucas visitas chegando a somar 30 visitas por dia, mas ontem por causa do título ''Estado de sitio'' teve 70 visitas. Fiquei surpresa mais acho que foi porque chamei atenção pelo título, dai o cuidado com o que escreve e dá nomes. Obrigado pela exelente aula. Fica na paz. Dalva

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  2. uma aula! muito útil nestes dias... parabéns pela profundidade

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  3. Bela postagem, a historia da pascoa real difere e muito da pascoa capitalista, a pascoa real valoriza o ser humano, já a capitalista o dinheiro.

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